sábado, 27 de setembro de 2014

Eu tenho um diário...

Eu tenho um diário, escrito no velho e querido caderno de papel. Passo o dia todo escrevendo nele mentalmente, procurando uma folguinha para me sentar e escrever. Qual! Só aqui mesmo. Esperando meu Ipad carregar. Esperando sempre...alguma coisa. Temos um bebê morando conosco esses dias. Ele se chama Matheus  e vai completar 4 meses. Somos família acolhedora e dentro de umas duas semanas ele deverá estar sendo entregue para adoção. Sinto-me bem fazendo isso. Não consegui ajudar meu filho de 25 anos, usuário de crack. Então agora lido com as verdadeiras vítimas do crack: os bebês dos usuários. Este bebê é o terceiro este ano e todos os três são filhos de usuárias. Lá fora soam sinos. A nossa amada igreja. Mas meu dia é amanhã. O horário da missa é todo meu. Me esqueço de tudo o que ficou em casa. Meu pensamento alça voo numa prece que dura do momento em que tranco a porta de casa para sair ao momento em que enfio a chave na fechadura para entrar. Procuro sinceramente levar uma vida de pureza e de atitude cristã. Devo confessar que minhas tentações diárias passam longe das chamadas tentações da carne. Meu problema é a língua. Sou crítica por natureza e mesmo quando controlo a crítica explícita não consigo refrear a crítica velada (mal velada) e o pensamento de reprovação. É fácil ver porque nasci homossexual. Se fosse a minha irmã a lésbica e eu a mulher casada com três filhos biológicos, que é o que ela é, meu dedo estaria agora mesmo sendo sacudido diante do nariz dela sem nenhuma compaixão. Eu vou à igreja católica sim, mas creio em reencarnação. Então estou aprendendo. Espero...

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